sábado, 24 de maio de 2014

Top 5: Personagens Favoritas | Patrícia


     Olá leitores! Decidimos fazer um Top 5 das nossas personagens literárias favoritas e sinceramente, não sei bem qual a ordem em que havia de por as personagens, portanto a ordem acaba por não ser muito relevante. Então aqui vai:

Fred Weasley/ Luna Lovegood
     Eu não queria encher o meu top de personagens de HP e a minha ideia era escolher apenas uma, mas foi impossível pois adoro tanto o Fred como a Luna. Sinceramente não sei explicar o porque de preferir o Fred ao George, mas enquanto lia os livros senti sempre uma maior afinidade com ele. Além disso, os rapazes engraçados são os melhores. A Luna é aquela rapariga um pouco estranha e diferente e até certo ponto relaciono-me com isso. A minha característica favorita nela é a sua ingenuidade e a forma como ela diz as coisas, que nem sempre se quer ouvir de forma tão natural. Para lerem mais sobre Harry Potter cliquem aqui.


Mark Petrie
     Mark é uma personagem principal no livro A hora do vampiro, de Stephen King. O Mark é uma criança, não sei bem a idade mas não deve ter mais de 12 anos. Ele é um badass nerd, que consome especialmente qualquer tipo de conteúdo relacionado com monstros, o que faz dele praticamente uma enciclopédia ambulante. No seu primeiro encontro com um vampiro mostra-se assustado, como é natural, mas prepara-se para o próximo encontro e torna-se um mini-caçador de vampiros e é tão awesome!


Arya Stark
     Esta personagem, mais uma vez, é uma criança super badass. Não gosta nada das coisas que as mulheres faziam na época medieval e quer aprender a usar uma espada e lutar, tal como os irmãos. Eu só li o primeiro livro - A Game of Thrones - mas acompanho a série televisiva. No entanto tanto, nesse primeiro livro, como 1ª temporada (que corresponde ao livro), esta personagem faz uma transição livro-televisão excelente.



Vencedores dos Hunger Games - Haymitch Abernathy, Johanna Mason e Finnick Odair
     Para mim, o Haymitch é uma das melhores coisas dos Hunger Games. Ele é aparentemente um bebêdo que não se interessa por mais nada senão ele mesmo, mas depois começamos a ver que ele tem mais camadas e se interessa genuinamente pela Katniss, o Peeta e a causa. Quando sabemos o que o Capitólio faz aos vencedores, percebemos que vencer os jogos da fome talvez não seja grande vantagem. Conhecemos então a Johanna, que é uma revoltada, e o Finnick, que é um rapaz sexy e sensível. Ou seja, o meu tipo favorito de pessoas. 


Alice Maxwell 
     Alice é uma das personagens do livro Cell, de Stephen King. Ter de escrever sobre esta personagem deixa-me triste por razões que não posso dizer. Ela é simplesmente uma adolescente assustada que se encontra numa situação extrema. :'( Ela é adorável e quem não gostar dela não tem coração.


     E é tudo, espero que tenham gostado! Digam-me quais as vossas personagens favoritas, e se se identificam com o meu top 5. Cliquem aqui e aqui para verem os nossos outros top 5 sobre livros preferidos :) Boas leituras...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Análise: A Metamorfose - Franz Kafka [SPOILER ALERT]


       Trago-vos desta vez a minha opinião sobre o primeiro livro que li do autor Franz Kafka. A Metamorfose conta a história de um homem, chamado Gregor Samsa, que ao acordar numa manhã que tinha tudo para ser normal, repara que o seu corpo sofrera uma metamorfose, transformando-se num corpo de insecto. É nestas condições que Gregor tem de enfrentar a realidade agora, e é este aspecto que torna este livro uma leitura interessante.
       Devo confessar que no inicio senti que esperava mais deste livro. Talvez isto se deva ao facto de ter achado a escrita do autor um tanto confusa. Por vezes perdia-me no desenvolvimento do seu raciocínio, devido ao facto de estar constantemente a inserir, entre travessões, informação adicional às frases. Mas depois acabei por me habituar a isto e acabou por se uma boa leitura. Em termos de enredo, devo dizer que fiquei triste com o final e irritado com o comportamento da família de Gregor. É neste pormenor que se encontra o verdadeiro cerne da história... a grande mensagem que o autor quer transmitir.


       Com a metamorfose de Gregor, Kafka demonstra o lado mais preconceituoso do homem. Digo isto pois, a sua família, ao ver o insecto em que Gregor se tinha tornado, em vez de o apoiarem e tentarem perceber o que se passou, preferem dar mais importância à imagem, à reputação e ao perconceito. Estes fecham-no no seu quarto, que passa a ser o mundo dele. Ele não sai desta divisão nem tem contacto com outras partes da casa, assim como com os seus pais e a sua irmã. Porém, esta última costumava limpar-lhe o quarto e dar-lhe de comer: abria a porta, colocava no chão um tabuleiro previamente preparado com restos de comida e apressava-se a fechar a porta, para não ter contacto (nem se quer visual) com o irmão. Quando esta entrava no quarto para as limpezas, Gregor enfiava-se debaixo de um cadeirão e cobria-se com um lençol (O cadeirão e o lençol são um forte símbolo de preconceito e desprezo nesta história. Representam a vida trsite que Gregor tinha), tudo devido ao preconceito da família, que nem suportavam vê-lo. Este foi o pormenor que mais me irritou e que mais me fez reflectir na mentalidade do ser humano, visto que Gregor sustentava a família e garantia-lhes estabilidade financeira. Este nutria um grande carinho pela irmã, estando disposto a investir no talento dela num conservatório de música. Por isso, Gregor não merecia o comportamento que a família teve com ele.


       Outro aspecto que me surpreendeu bastante foi o facto de Gregor apenas ser apanhado de surpresa pelo seu novo corpo durante breves instantes, pois assim que percebeu que estava atrasado para o trabalho e que isso traria problemas à sua vida, deixou de se preocupar consigo, e passou só a pensar que dentro de pouco tempo o chefe dele estaria na sua casa a perguntar o porquê de não ter aparecido no escritório. Um homem encontra-se numa situação bizarra, que deixaria qualquer pessoa em pânico, e mesmo assim tem de se preocupar com as tarefas e responsabilidades do dia a dia, colocando-as acima de tudo. Aqui percebi que realmente, o homem está muito dependente do tempo e do trabalho, que acaba por nos ocupar a maior parte do dia.
        Ao isolar-se do mundo, começa-se a verificar que não foi só o corpo de Gregor a sofrer uma transformação. O seu psicológico e o seu "eu" começam a adaptar-se à vida de insecto, sendo que Gregor perde a fala e os seus hábitos alimentares. Passa o tempo a subir às paredes e ao tecto e a olhar pela janela. Aqui, a janela constituí um meio que Gregor tem de se conectar ao mundo, apesar de, com o tempo, ir perdendo a boa visão que tinha, começando a ter uma muito turva e desfocada.


       Outra alteração na sua mentalidade que me chocou bastante foi o facto de Gregor se redimir a sua condição de insecto, quase perdendo a sua personalidade. Já não bastava a atitude que a família assumiu perante ele, como também Gregor aceitava essa atitude. Não era só a família que queria que ele se isola-se no quarto, ou cobrisse a sua forma com um lençol debaixo do cadeirão... ele próprio queria esconder-se, não queria que a família o visse. Houve partes em que Gregor tentava ver um pouco da sua casa, sendo que a única forma que olhar para a sua família era esconder-se no escuro. Senti que nestas partes, Gregor era feliz por olhar para lá das paredes do seu quarto, apesar de os pais e a irmã não suportarem sequer ver o seu corpo de insecto.
       Como já referi, o final deixou-me muito triste e chocado, pois a família nem sofreu com a morte de Gregor. Este morreu num quarto já sujo, num corpo magro e fraco e só depois de morto é que a família se apercebe que ele não estava bem nutrido, devido à falta de apetite que sentia tempos antes da sua morte. Nunca uma família me tinha chocado desta maneira!

       Esta acabou por ser uma excelente leitura, que me fez pensar na mentalidade das pessoas... muitas delas cheias de preconceito. Este é mesmo um clássico que deve ser lido por todos!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Opinião: Misery de Stephen King


     Hello, hoje venho falar-vos de um livro que já li à algum tempo e que faz parte dos meus favoritos. É o Misery, de Stephen King. Este livro conta a história de um autor de livros românticos que tem um acidente de viação e acorda num quarto desconhecido.  Paul Sheldon vem a descobrir que a sua fã número 1, Annie Wilkes, uma ex-enfermeira, o resgatou e levou para sua casa. Paul escreve romances vitorianos cuja personagem principal é Misery e quando Annie descobre que no mais recente livro dessa saga, a 'sua' Misery morre, fica simplesmente louca. Pior ainda, o autor decidiu mudar o tema do seu próximo trabalho. Annie ao ver o manuscrito, afirma que ele é melhor que isso e que apesar de ser um trabalho de que se sente orgulhoso, é uma porcaria cheia de violência e blasfémia. Decide então obrigá-lo a escrever um novo livro onde Misery regressa, através de tortura.


     Este livro é escrito na perspectiva de Paul e normalmente, quando um livro inteiro é escrito do ponto de vista de uma só personagem, deixa algo a desejar pois certamente a personagem não estará em todos os locais onde ações importantes para a história decorrem. No entanto, neste livro acho que é uma grande mais valia, pois o que sabemos é o mesmo que a personagem sabe. Ele encontra-se cativo de Annie e este tipo de narração faz sentir como se estivesse-mos presos com ele. Passa tudo sobre os sentimentos dele e de como toda a tortura a que é sujeito o afeta mentalmente. Na minha opinião, é ai que o autor se distingue, na sua habilidade de retratar tão bem a mente humana, o que nela se passa e o que motiva certos comportamentos. 


     Outra coisa que gostei bastante foi de ao longo do livro poder-mos ler pequenos excertos do livro que Paul está a escrever para Annie, ou seja, do novo livro de Misery. Ela não é suficientemente inteligente para o perceber mas neste livro, foram incluídas personagem que representam Annie e a sua tirania. Acho o nome do livro bastante irónico, pois não só se refere ao nome da personagem do livro de Paul, mas também ao facto de essa personagem o ter posto na sua miséria atual.


    Finalmente, as cenas de tortura. Não quero revelar muito, pois não quero dar spoilers, mas as cenas de tortura... Não é o primeiro livro que li deste autor, portanto já estava ciente do seu poder de descrição de coisas horríveis e nojentas também. Vou só dizer que há uma cena particularmente sangrenta em que eu tive literalmente de parar de ler. A minha parte favorita é mesmo a Annie, que pensa que faz tudo por bem mas é claramente uma psicopata sem remorsos que faz tudo para ter o seu livro, e sejamos honestos, até certo ponto, podemos todos relacionar-nos com isso ;)


     Recomendo mesmo este livro, gostei muito e acho que é uma leitura fenomenal para quem gosta deste tipo de livros. Misery foi adaptado ao cinema em 1990, sendo realizado por Rob Reiner e protagonizado por James Caan e Kathy Bates. 

domingo, 11 de maio de 2014

Book Haul: Abril


       E mais um mês de leituras e aquisições literárias passou. No mês da revolução, compramos alguns livros das nossas wishlists. Deixamo-vos aqui mais alguns que adicionámos à lista de espera para serem lidos. Esperemos que gostem das sugestões...


- Patrícia -

       Hello! Este mês comprei apenas três livros, todos no mesmo dia. O primeiro foi A Volta ao Mundo em 80 Dias de Júlio Verne. Esta história é conhecida por toda a gente: um senhor faz uma aposta em que consegue dar a volta ao mundo em 80 dias e assim o faz. Eu realmente tenho muita curiosidade em ler esta história pois apesar de conhecer o enredo, gostava de ler a original. Além disso custou menos de 1€ e a capa é em hardback e simplesmente maravilhosa.


     Comprei também Os Jogos da Fome de Suzanne Collins. Apesar de já ter lido a trilogia completa, ainda não tinha adquirido os livros pois o caro Sr. Miguel me emprestou. Não fazia grandes intenções de comprar mas encontrei-o numa Cashconverters a 7,5€, portanto não resisti. 


     Finalmente, comprei O Perfume de Patrick Süskind. Eu conheço mais ou menos a história pois vi o filme, que pelo que já ouvi dizer é um pouco diferente. Esta é a história de um perfumista com um olfacto extraordinário que faz tudo para encontrar o essência perfeita, até mesmo matar.. Muahahah. Não, mas a sério, pelo que sei é um livro bastante bom e portanto espero coisas boas para quando o ler.  


- Miguel -

     Os primeiros livros que comprei no mês de Abril foram Insurgente e Convergente, de Veronica Roth. Estes dois livros fazem parte da trilogia Divergente, e assim já a tenho completa na minha estante. Não li nenhuma sinopse dos livros com receio de ler acidentalmente algum spoiler. Tenciono não ler nenhuma opinião dos livros pois quero lê-los sem saber o que irá acontecer. Já publicamos uma análise conjunta de Divergente, o primeiro livro da trilogia. Cliquem aqui para lerem a análise. 


       Os livros que comprei a seguir têm provavelmente as melhores capas que já vi. São eles Os filhos do capitão Grant na América do sul e Viagens extraordinárias: As Índias negras, ambos de Júlio Verne. Tenho andado a comprar estes livros lindos de Verne em segunda mão e quero mesmo começar a lê-los! Sei que Júlio Verne é provavelmente um autor que já devia ter lido em criança, mas como não li, acho que nunca é tarde de mais para começar a ler bons livros.


       Outro livro que comprei em segunda mão no mês de Abril foi O doente Inglês, de Michael Ondaatje. Sei que há filme deste livro mas ainda não o vi. Tenho muito interesse em vê-lo e agora em lê-lo. Este é um dos livros que não li sinopses nem críticas... pretendo lê-lo não sabendo a sinopse, para que possa surpreender-me (tanto pela positiva como pela negativa).


       O último livro que comprei foi um dos que me deixou mais contente! Quando o vi em promoção na Fnac não resisti e comprei-o. É este A quinta dos animais (ou O triunfo dos porcos) de George Orwell. Comecei a lê-lo pouco depois de o ter comprado terminei-o antes do final do mês, e como já tem opinião no blog, não vou falar muito dele aqui... só tenho a dizer que é fantástico! Cliquem aqui para lerem a minha opinião sobre este livro. 



sábado, 10 de maio de 2014

Desabafos sobre Harry Potter

       Tenho andado a retomar as minhas leituras potterianas. Comecei recentemente a ler Harry Potter e o cálice de fogo e não me arrependo nada de só ler Harry Potter agora que tenho 18 anos. Muita gente leu quando era criança, tanto que esta é uma saga que está categorizada na secção infanto-juvenil, mas eu acho que HP não pode ser categorizado desta maneira, pois este tipo de livros são bons de se ler a qualquer idade. Contudo, acho que teria gostado de ler HP quando era mais novo... quando passava os meus dias em casa a ver os dois primeiros filmes. Mas como nesta altura eu não tinha as capacidades de leitura nem os gostos literários que tenho hoje, ler HP agora é muito melhor, pois com uma mentalidade mais crescida, consigo apreciar tudo o que há de bom nesta saga.


       Já me tinha esquecido de como é boa e divertida a escrita da J. K. Rowling. Todo aquele mundo pormenorizado e empolgante me prende ao livro a cada página que leio. Algumas personagens já me fizeram rir bastante. Sem dúvida, ler Harry Potter é sempre bom para renovarmos a nossa leitura, e com isto quero dizer que, com alguns livros que me desiludiram recentemente, outros que não me surpreenderam assim tanto como surpreenderam outras pessoas (como por exemplo A revolta, de Suzanne Collins, e TFIOS, de John Green ), ler HP é como regressar às raízes... regressar aos livros que têm um grande significado para mim e que eu sei que não me vão desiludir. Mesmo que eu saiba o enredo de cor e já saiba o desenlace dos mesmos, ler Harry Potter é sempre surpreendente e divertido.


       Apesar de tudo, verifiquei neste quarto livro que a J. K., por vezes, desenvolve de mais as coisas. Quer dizer, é bom por vezes a autora dar pormenores ao enredo e desenvolver diálogos e explicações de determinadas coisas, mas acho que por vezes é exagerado, havendo certas partes nos livros (poucas) que se tornam um pouco sem interesse. Um exemplo disso é o capítulo em o cálice de fogo, em que J. K. descreve ao pormenor o jogo da taça mundial de Quidditch. A meu ver, este capítulo não tem grande importância.
       Uma coisa que os livros me estão a ajudar a fazer é conhecer melhor as personagens. Tenho andado a perceber que, na realidade, Amos Diggory é um grande convencido indelicado e inconveniente. Também tive a oportunidade de ver o quanto o Percy Weasley é convencido, sendo o único Weasley que não é simples e humilde.


       E isto é o que sinto a ler Harry Potter! Ainda não terminei o livro mas já li mais de metade. Quando terminar não farei análise nem sinopse. Penso que não valha a pena, visto que se trata de Harry Potter, não é? Desta Fantástica colecção que mostro nas fotos (as edições em português são minhas, em inglês da Patrícia), só me falta comprar o Talismãs da morte, que já ando à alguns meses atrás dele em lojas em 2ª mão. À Patrícia falta-lhe o Order of the Phoenix.

       Mischief managed

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Desabafos sobre Os Maias




    Então hoje venho falar-vos um pouco sobre Os Maias. Li este livro por uma razão apenas: estudar para os exames. Quando comecei não tinha qualquer tipo de expectativas. Toda a gente dizia que é uma seca e blábláblá... mas decidi tentar e devo dizer que gostei muito mais do que estava à espera. Não vou fazer aqui nenhuma análise, nem resenha, nem nada desse género, até porque supostamente aprende-se isto na escola. Este post é apenas um desabafo, não é nada sério. 
    Esta é a história de uma família, os Maias (que inesperado). No século XIX, quando Afonso decide ir viver para uma casa chamada Ramalhete e é a partir daí que a história se começa a desenrolar. Nota-se também ao longo da narrativa a forte critica social feita por Eça de Queirós à sociedade portuguesa dessa altura.


    Primeiro, à que dizer que este livro é de facto uma seca, não no sentido da ação, pois essa é cheia de peripécias e reviravoltas. É no sentido da descrição. Parágrafos e mais parágrafos a descrever coisas que sinceramente não interessam a ninguém. Segundo, desde que a ação começa, fiquei a amar o livro. Foi quase como ler uma novela: sempre coisas a acontecer, coisas que sinceramente só mesmo em ficção, ou então só naquela sociedade, nem sei...

    A partir daqui vão haver muitos SPOILERS, mas honestamente não são spoilers nenhuns porque este livro é um clássico, por amor de Deus. A parte que me agarrou à história foi quando Afonso tem uma espécie de flashback, em que relembra os tempos em que era mais novo, a altura em que se casou e teve um filho, o Pedro, que era um mariquinhas de primeira. Digo isto porque em pequeno não saía das saias da mãe e depois de ela falecer parece que ficou apático até conhecer Maria Monforte. Casa-se com ela contra a vontade do Pai, tem dois filhos e ela depois muito agradecida por tudo o que ele fez por ela, foge com um italiano para França e ainda leva a filha. Pedro, coitadinho, vê-se sozinho com um filho e volta para casa do pai com o bebé a pedir desculpas e é ai que se suicida. Tudo isto acontece nas primeiras páginas e eu a pensar 'bem isto vai ser interessante', mas não. O meio do livro é um pouco parado mas continua a ser interessante e é toda uma ação que leva ao desenlace final. Afonso (pai de Pedro) cria o neto Carlos após a morte do filho e tenta ainda encontrar a neta mas, segundo consta, a menina faleceu. Mas não faleceu nada, não senhor, isso é que era bom. Então não é que a menina acabou por ir dar a Lisboa e sem o saber apaixonou-se pelo irmão, Carlos, com o qual começou uma relação incestuosa! Ele no fim acaba por descobrir e em vez de parar (de ter nojo da situação) continua a ir 'dormir' a casa da irmã. Isto acaba por dar cabo de Afonso que, já com 80 anos, acaba por morrer de desgosto. Depois sim, Carlos manda a irmã para Paris e ele próprio deixa Portugal por dez anos.

    No geral gostei bastante da história. A minha personagem favorita foi, sem duvida, o Afonso da Maia. Era um homem rígido mas que adorava crianças e que apesar de todos os desgostos que teve, manteve sempre a sua serenidade. Era simplesmente fantástico e coitado, a família não se escolhe... Acho que é isto, peço desculpa pelo sarcasmo todo e se não o perceberam então voltem a ler ou assim...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Análise: Divergente - Veronica Roth [SPOILER ALERT]


       No futuro da humanidade, de modo a evitar guerras e conflitos, a população da cidade de Chicago dividiu-se em cinco fações. Cada fação promove um valor diferente: aqueles que acreditam que o egoísmo está na origem desses conflitos, formaram os Abnegados, que promovem o altruísmo; os que diziam ser a cobardia, formaram os Intrépidos, caracterizando-se pela coragem; os que viam a ignorância como a causa dos problemas da humanidade, organizaram-se nos Eruditos, promovendo a inteligência e o conhecimento; os que acreditavam ser a desonestidade , formaram os Cândidos, semeando a verdade e a honestidade; por fim, os que diziam que era a falta de compaixão que provocava tantos problemas, criaram os Cordiais, que promovem a paz e amizade.
       Aos 16 anos, todos os cidadãos têm de se submeter a um teste de aptidão que irá definir em que fação o cidadão se enquadra, devendo este decidir se escolhe a fação ditada pelo teste, ou se se mantém na fação onde cresceu, caso o resultado seja uma fação diferente daquela onde vive. Quem não se conseguir adaptar à nova fação torna-se um sem-fação (que é quase o mesmo que ser mendigo).


       É neste contexto que o enredo do livro se desenvolve. Nele, conhecemos Beatrice Prior (Tris), que vive na fação dos Abnegados. Aos 16 anos, os testes de aptidão dela vieram mudar-lhe a vida por completo. Estes foram inconclusivos, pois Tris é uma divergente: alguém que não pode ser categorizada por demostrar ter capacidades para se integrar em mais do que duas fações. No entanto, Beatrice não tem noção, no início, de que que ser divergente é algo perigoso naquela sociedade, pois o governo vê os divergentes como uma ameaça ao seu sistema perfeito de organização da sociedade. A sua escolha veio mudar a sua identidade. 


       O livro começa com a autora a apresentar a protagonista e o meio onde vive, enquanto explica a oranização da cidade de Chicago. Depois da prova de aptidão de Beatrice e da cerimónia onde escolheu a sua fação, a autora foca-se no seu dia-a-dia e na sua adaptação nos Intrépidos, iniciando aí uma parte do livro mais monótona, que acaba por ocupar mais de metade do livro. Todos os acontecimentos mais interessantes e empolgantes são deixados para o fim. Por isso, achamos que a autora devia ter tido em atenção a organização da revelação das informações mais entusiasmantes, de modo a equilibrar o livro e garantir um enredo sempre empolgante e não muito parado.


       Tal como aconteceu na trilogia Jogos da Fome, não gostamos do facto de o livro ser escrito na 1ª pessoa, pois assim só temos a visão que Tris tem das coisas. Gostavamos de ter lido mais, por exemplo, sobre a conspiração por parte dos eruditos contra os abnegados. Pensamos que isso tornaria o enredo muito mais rico e, talvez, não tão parado.
       Contudo, a escrita na primeira pessoa permite ver com clareza os sentimentos e a personalidade de Tris e o porquê de esta ser uma divergente:  ela consegue conjugar o altruísmo e a coragem, referindo várias vezes no final do livro que, em algumas circunstâncias, ser-se altruísta e ser-se corajoso é o mesmo – na nossa opinião, esta é a grande mensagem do livro. É nesta situação entre o altruísmo e a coragem que Tris pergunta a si mesma várias coisas, de modo a perceber o que é e quem é de verdade. A busca pela própria identidade é uma das coisas que caracteriza o livro.


       Algo que deve ser frisado é o facto de, na nossa opinião, este livro ter o intuito de mostrar a importância de prevenir guerras e problemas que podem por em causa a humanidade, a paz e a saúde. Evitar estes problemas deve ser um dever de todos, sendo que neste caso a humanidade recorreu a uma forma de organização da população nunca antes vista, sendo considerado por muitos um distopia. 

       Este livro tem ainda alguma crítica social na parte em que Jeanine Matthews acredita que o papel de governar a cidade não está bem entregue à fação altruísta. Esta divulga nos meios de comunicação que os Abnegados se aproveitam do seu estatuto para obter mais alimentos e bens essenciais que as outras fações (a autora não revela se estas acusações são, de facto, verdade ou se não passam de teoria da conspiração), acusando, assim, os governadores abnegados de egoístas, pondo em causa funcionamento da fação e o altruísmo que promove. Isto mostra que até mesmo os governadores abnegados, que se dizem extremamente altruístas e que todos os dias pensam nos outros antes de pensar neles mesmos, podem-se deixar levar pelo poder. Isto constituí uma falha na sociedade, que supostamente é perfeita, mostrando que, por mais que o ser humano se esforce, a perfeição é algo que não existe e uma sociedade perfeita é, consequentemente, impossível.


       Para Concluir, confessamos que não gostámos nem desgostámos do livro. Achamos que o seu contexto, isto é, a sociedade futurista criada por Roth, é extremamente interessante, pois enquanto que hoje os estereótipos levam à discriminação e a situações de maus tratos, em Divergente os estereótipos são utilizados para preservar a humanidade e para evitar a guerra. Contudo, o que não nos fez fanáticos pelo livro foi o facto de, como já explicado a cima, o enredo ser limitado pela narração na 1ª pessoa e pelo facto de a autor ter escrito o livro com um desenvolvimento parado, deixando os momentos empolgantes para o fim.
       Apesar de tudo estamos curiosos para ler os livros que se seguem a este: Insurgente e Convergente. Estamos também curiosos para ver o filme, que estreou em Portugal a 3 de Abril de 2014 e que conta com Shailene Woodley e Theo James nos papéis principais.



Opinião: A quinta dos animais | Animal Farm - George Orwell


       Esta fábula de George Orwell relata a história de uma quinta em que os animais se sentem fartos de ser escravizados pelo ser humano. Pela primeira vez uma quinta sofre uma revolução que expulsou os humanos que nela viviam. Os animais têm assim de se tornar auto-suficientes e produzir o seu próprio alimento. Começou-se a formar uma sociedade de animais, em que todos trabalhavam e tinham direito ao descanço. Tudo aquilo que produzem não lhes é retirado e os animais usufruem do produto do seu trabalho. Todos eram iguais e todos afastavam o máximo possível a raça humana do pensamento. Foram criadas algumas regras (Como por exemplo: “Duas pernas mau, quatro pernas bom”) e até ordens para condecorar quem se destacasse pelo seu mérito.


       Com o passar do tempo, os porcos da quinta vão se diferenciando dos outros animais, afirmando-se mais sábios que as outras espécies. Assim, os porcos vão gradualmente reivindicando o poder e, simultaneamente, vão manipulando a sociedade da quinta. Surgiram grupos sociais, à semelhança de uma sociedade humana.
       Um desses porcos, Napoleão, chega ao poder da pior maneira: expulsando à força o seu oponente, Bola-de-neve. Este instala um regime totalitarista e a quinta chega ao ponto de regressar aos tempos em que estava sob o controlo dos humanos. Contudo, os animais não se apercebem desta situação, pois Napoleão soube manipular bem os animais. Este acaba por fazer o que quer com a quinta, alterando as regras inicialmente estabelecidas, reduzindo as rações dos animais e aumentando as horas de trabalho árduo. Os porcos chegam mesmo a ficar bastante semelhantes ao homem, andando sobre duas patas e utilizando peças de roupa.


       Orwell inspirou-se no regime ditatorial russo, liderado por Stalin, sendo que o porco Napoleão é a representação figurada deste governador. Esta é uma fábula que utiliza os animais para representar os humanos e os seus defeitos, como a corrupção, a ganância, a ambição e a ignorância.
       Este clássico da literatura é fascinante da primeira página à última. Apercebi-me que este livro não me ia desiludir e que ia querer ler mais deste autor assim que li o primeiro capítulo. A escrita do autor e a sua crítica à sociedade tornam este livro grande, ainda que o número de páginas seja muito reduzido. É fantástica a forma como o autor critíca a humanidade e os regimes totalitaristas.


       Apesar da história ser particularmente inspirada no regime ditatorial russo, esta pode ser associada a outros regimes ditatoriais, pois todos funcionam basicamente da mesma maneira. Muitas das coisas que aconteceram no regime de Stalin, Salazar e Hitler são representadas nesta história, como a opressão, o controlo da opinião pública e a proibição de indícios de revolução, bem como castigos e até execuções.


       Recomendo vivamente a que TODA A GENTE leia este livro, pois se todos o lessem, muitas mentes da população portuguesa (e de qualquer parte do mundo) ia abrir-se e ver a realidade com outros olhos. Esta é uma leitura que devia ser feita particularmente na época de crise que vivemos.
       Há também a versão deste livro em filme de animação, realizado por John Halas e Joy Batchelor em 1954.