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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Análise: A Metamorfose - Franz Kafka [SPOILER ALERT]


       Trago-vos desta vez a minha opinião sobre o primeiro livro que li do autor Franz Kafka. A Metamorfose conta a história de um homem, chamado Gregor Samsa, que ao acordar numa manhã que tinha tudo para ser normal, repara que o seu corpo sofrera uma metamorfose, transformando-se num corpo de insecto. É nestas condições que Gregor tem de enfrentar a realidade agora, e é este aspecto que torna este livro uma leitura interessante.
       Devo confessar que no inicio senti que esperava mais deste livro. Talvez isto se deva ao facto de ter achado a escrita do autor um tanto confusa. Por vezes perdia-me no desenvolvimento do seu raciocínio, devido ao facto de estar constantemente a inserir, entre travessões, informação adicional às frases. Mas depois acabei por me habituar a isto e acabou por se uma boa leitura. Em termos de enredo, devo dizer que fiquei triste com o final e irritado com o comportamento da família de Gregor. É neste pormenor que se encontra o verdadeiro cerne da história... a grande mensagem que o autor quer transmitir.


       Com a metamorfose de Gregor, Kafka demonstra o lado mais preconceituoso do homem. Digo isto pois, a sua família, ao ver o insecto em que Gregor se tinha tornado, em vez de o apoiarem e tentarem perceber o que se passou, preferem dar mais importância à imagem, à reputação e ao perconceito. Estes fecham-no no seu quarto, que passa a ser o mundo dele. Ele não sai desta divisão nem tem contacto com outras partes da casa, assim como com os seus pais e a sua irmã. Porém, esta última costumava limpar-lhe o quarto e dar-lhe de comer: abria a porta, colocava no chão um tabuleiro previamente preparado com restos de comida e apressava-se a fechar a porta, para não ter contacto (nem se quer visual) com o irmão. Quando esta entrava no quarto para as limpezas, Gregor enfiava-se debaixo de um cadeirão e cobria-se com um lençol (O cadeirão e o lençol são um forte símbolo de preconceito e desprezo nesta história. Representam a vida trsite que Gregor tinha), tudo devido ao preconceito da família, que nem suportavam vê-lo. Este foi o pormenor que mais me irritou e que mais me fez reflectir na mentalidade do ser humano, visto que Gregor sustentava a família e garantia-lhes estabilidade financeira. Este nutria um grande carinho pela irmã, estando disposto a investir no talento dela num conservatório de música. Por isso, Gregor não merecia o comportamento que a família teve com ele.


       Outro aspecto que me surpreendeu bastante foi o facto de Gregor apenas ser apanhado de surpresa pelo seu novo corpo durante breves instantes, pois assim que percebeu que estava atrasado para o trabalho e que isso traria problemas à sua vida, deixou de se preocupar consigo, e passou só a pensar que dentro de pouco tempo o chefe dele estaria na sua casa a perguntar o porquê de não ter aparecido no escritório. Um homem encontra-se numa situação bizarra, que deixaria qualquer pessoa em pânico, e mesmo assim tem de se preocupar com as tarefas e responsabilidades do dia a dia, colocando-as acima de tudo. Aqui percebi que realmente, o homem está muito dependente do tempo e do trabalho, que acaba por nos ocupar a maior parte do dia.
        Ao isolar-se do mundo, começa-se a verificar que não foi só o corpo de Gregor a sofrer uma transformação. O seu psicológico e o seu "eu" começam a adaptar-se à vida de insecto, sendo que Gregor perde a fala e os seus hábitos alimentares. Passa o tempo a subir às paredes e ao tecto e a olhar pela janela. Aqui, a janela constituí um meio que Gregor tem de se conectar ao mundo, apesar de, com o tempo, ir perdendo a boa visão que tinha, começando a ter uma muito turva e desfocada.


       Outra alteração na sua mentalidade que me chocou bastante foi o facto de Gregor se redimir a sua condição de insecto, quase perdendo a sua personalidade. Já não bastava a atitude que a família assumiu perante ele, como também Gregor aceitava essa atitude. Não era só a família que queria que ele se isola-se no quarto, ou cobrisse a sua forma com um lençol debaixo do cadeirão... ele próprio queria esconder-se, não queria que a família o visse. Houve partes em que Gregor tentava ver um pouco da sua casa, sendo que a única forma que olhar para a sua família era esconder-se no escuro. Senti que nestas partes, Gregor era feliz por olhar para lá das paredes do seu quarto, apesar de os pais e a irmã não suportarem sequer ver o seu corpo de insecto.
       Como já referi, o final deixou-me muito triste e chocado, pois a família nem sofreu com a morte de Gregor. Este morreu num quarto já sujo, num corpo magro e fraco e só depois de morto é que a família se apercebe que ele não estava bem nutrido, devido à falta de apetite que sentia tempos antes da sua morte. Nunca uma família me tinha chocado desta maneira!

       Esta acabou por ser uma excelente leitura, que me fez pensar na mentalidade das pessoas... muitas delas cheias de preconceito. Este é mesmo um clássico que deve ser lido por todos!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Opinião: Misery de Stephen King


     Hello, hoje venho falar-vos de um livro que já li à algum tempo e que faz parte dos meus favoritos. É o Misery, de Stephen King. Este livro conta a história de um autor de livros românticos que tem um acidente de viação e acorda num quarto desconhecido.  Paul Sheldon vem a descobrir que a sua fã número 1, Annie Wilkes, uma ex-enfermeira, o resgatou e levou para sua casa. Paul escreve romances vitorianos cuja personagem principal é Misery e quando Annie descobre que no mais recente livro dessa saga, a 'sua' Misery morre, fica simplesmente louca. Pior ainda, o autor decidiu mudar o tema do seu próximo trabalho. Annie ao ver o manuscrito, afirma que ele é melhor que isso e que apesar de ser um trabalho de que se sente orgulhoso, é uma porcaria cheia de violência e blasfémia. Decide então obrigá-lo a escrever um novo livro onde Misery regressa, através de tortura.


     Este livro é escrito na perspectiva de Paul e normalmente, quando um livro inteiro é escrito do ponto de vista de uma só personagem, deixa algo a desejar pois certamente a personagem não estará em todos os locais onde ações importantes para a história decorrem. No entanto, neste livro acho que é uma grande mais valia, pois o que sabemos é o mesmo que a personagem sabe. Ele encontra-se cativo de Annie e este tipo de narração faz sentir como se estivesse-mos presos com ele. Passa tudo sobre os sentimentos dele e de como toda a tortura a que é sujeito o afeta mentalmente. Na minha opinião, é ai que o autor se distingue, na sua habilidade de retratar tão bem a mente humana, o que nela se passa e o que motiva certos comportamentos. 


     Outra coisa que gostei bastante foi de ao longo do livro poder-mos ler pequenos excertos do livro que Paul está a escrever para Annie, ou seja, do novo livro de Misery. Ela não é suficientemente inteligente para o perceber mas neste livro, foram incluídas personagem que representam Annie e a sua tirania. Acho o nome do livro bastante irónico, pois não só se refere ao nome da personagem do livro de Paul, mas também ao facto de essa personagem o ter posto na sua miséria atual.


    Finalmente, as cenas de tortura. Não quero revelar muito, pois não quero dar spoilers, mas as cenas de tortura... Não é o primeiro livro que li deste autor, portanto já estava ciente do seu poder de descrição de coisas horríveis e nojentas também. Vou só dizer que há uma cena particularmente sangrenta em que eu tive literalmente de parar de ler. A minha parte favorita é mesmo a Annie, que pensa que faz tudo por bem mas é claramente uma psicopata sem remorsos que faz tudo para ter o seu livro, e sejamos honestos, até certo ponto, podemos todos relacionar-nos com isso ;)


     Recomendo mesmo este livro, gostei muito e acho que é uma leitura fenomenal para quem gosta deste tipo de livros. Misery foi adaptado ao cinema em 1990, sendo realizado por Rob Reiner e protagonizado por James Caan e Kathy Bates.